21/06/2013 17h59 - Atualizado em 21/06/2013 18h00

Fifa descarta cancelamento de Copa e nega possível saída de seleções

Entidade faz pronunciamento condenando a violência após ataque a ônibus oficial e tentativa de invasão a hotel em Salvador na quinta-feira.
Globo Esporte
Saint Clair Milesi (direita), diretor de comunicação do COL, fala de protestos (Foto: Vicente Seda)

Após o ataque a um ônibus da Fifa e tentativa de invasão de um hotel em Salvador, a Fifa fez um pronunciamento nesta sexta-feira, no início do 'briefing' diário para a imprensa. O porta-voz da entidade, Pekka Odriozola, afirmou que nenhuma das seleções solicitou a retirada da competição, apesar dos rumores de que a Itália estaria pressionando nesse sentido, e que até agora em nenhum momento foi discutido ou considerado o cancelamento da Copa das Confederações ou da Copa do Mundo. Questionado se essa discussão poderia acontecer em um futuro próximo, o porta-voz se esquivou, voltando a dizer que hoje não existe esse debate na entidade.

Desde o início da competição, o pronunciamento no início do 'briefing' é o primeiro sinal real de preocupação da entidade com a situação no Brasil. Com grandes manifestações acontecendo em diversas cidades do país, incluindo as que recebem jogos da Copa das Confederações, a Fifa, até então, mantinha uma postura de não interferir nesse tipo de questão, sempre ressaltando que era um assunto para as autoridades locais. Porém, até então, nenhuma das manifestações havia causado danos diretos, como ocorreu em Salvador.

- Apoiamos o direito de liberdade de expressão, desde que de forma pacífica. Condenamos qualquer forma de violência. Vamos continuar a monitorar a situção, estamos em constante contato com as autoridades locais. Em nenhum estágio foi considerado ou discutido pelo COL, pelo Governo Federal ou pela Fifa o cancelamento da competição. Estamos em contato com os times, os mantemos informados e não recebemos nenhum pedido de saída de qualquer das seleções - disse o porta-voz, no pronunciamento antes do início da sessão de perguntas e respostas.

Na quinta-feira, dois micro-ônibus da Fifa foram apedrejados por manifestantes, no bairro do Campo Grande, em Salvador. Em frente ao Hotel da Bahia, onde membros da entidade máxima do futebol estão hospedados, os veículos foram depredados e prédio teve a fachada danificada. Houve uma tentativa de invasão do estabelecimento. A Polícia de Choque logo chegou ao local para conter o protesto. Usando bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha, além da cavalaria, os oficiais entraram em confronto com os manifestantes, que ateavam fogo em objetos na rua.

- O relatório que recebemos foi que o ônibus teve a janela danificada. É um reflexo do que está havendo. Outros veículos foram atacados. O ônibus da Fifa por acaso estava no caminho do protesto. Não temos relatórios de nenhuma invasão - afirmou o diretor de comunicação do COL, Saint Clair Milesi.

Pekka repetiu o discurso:

- Os ônibus estavam vazios, e estacionados. Ninguém se machucou. Havia mais veículos e nenhuma pessoa dentro. As questões sobre incidentes são para as autoridades locais.

Apesar das tentativas de minimizar a situação e de não interferir na questão da violência policial e de manifestantes, Pekka acabou cedendo diante de insistentes questionamentos sobre os incidentes.

- O que posso dizer é que condenamos qualquer forma de violência. Qualquer forma.

Outro momento que causou certo constrangimento na coletiva foi quando o porta-voz da Fifa passou a ser indagado sobre os motivos de, até o momento, a entidade não ter permitido entrevistas do responsável pela segurança da Copa das Confederações.

- Há muitas pessoas que seriam interessantes para falar aqui, mas vocês têm de ver que as pessoas estão trabalhando. Vamos analisar.

Sobre a possibilidade de suspensão ou cancelamento da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, o porta-voz da Fifa afirmou:

- O que dissemos é que não discutimos ou consideramos até agora cancelar a Copa. Não vamos especular sobre o que pode acontecer no futuro. Mas até agora não discutimos ou consideramos cancelar quaisquer desses eventos - disse Pekka, evitando comparações com a situação na Colômbia em 1986, quando a Copa do Mundo acabou sendo transferida para o México em função de problemas econômicos e sociais dos colombianos.

- Não estava na Fifa naquele momento, acho que cada situação tem de ser analisada de forma independente, não compararia as duas situações.

Ao responder sobre os protestos contra os gastos para a Copa do Mundo, Milesi, do COL, explicou:

- A competição está aí, está acontecendo, as manifestações também. Temos confiança nos benefícios que a Copa traz para o Brasil e o que é o apoio da população dentro das pesquisas que a gente tem. As manifestações são saudáveis, mas a gente analisa os números globais.

Por fim, Pekka admitiu que a proporção das manifestações surpreendeu a Fifa:

- Não tenho certeza se alguém, a mídia, o COL ou a Fifa, estava esperando algo assim.

 

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