07/06/2013 18h02 - Atualizado em 07/06/2013 18h09

Lavouras de soja em Marãiwatsédé devem ser destruídas

Lavouras em Marãiwatsédé, nordeste do estado, detêm focos de ferrugem. Justiça Federal autorizou medida pleiteada pela Funai, União e MPF.
G1 MT
Leandro Nascimento
Imagem de sobrevoo mostra lavouras abandonadas na reserva (Foto: Wanderlei Dias Guerra / Mapa)

A Justiça Federal de Mato Grosso autorizou a destruição das lavouras de soja existentes na área indígena Marãiwatsédé, região nordeste do estado. A decisão do magistrado Julier Sebastião da Silva, expedida nesta quinta-feira (6), atendeu ao pleito formulado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), União e Ministério Público Federal. 

De acordo com o magistrado, a medida se faz necessária "para fins de controle sanitário, especialmente da ferrugem asiática". Em seu despacho o juiz federal diz ainda estar o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) autorizado a "fazer a verificação de plantas remanescentes de soja na área".

Uma missão liderada pela Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Mapa no Estado esteve na região ainda em janeiro para investigar o risco de propagação da doença a partir das lavouras que tiveram de ser abandonadas desde dezembro pelos produtores. A retirada dos ocupantes não-índios foi determinada por decisão judicial. À mesma época, o Mapa e a Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja) alertaram que uma área de pelo menos mil hectares inspirava atenção.

Em relatório entregue à Funai, as instituições pediam que fosse autorizada a colheita da produção daquelas áreas consideradas aptas, pleito negado pelo Poder Judiciário. Somente um agricultor recebeu aval da Justiça para colher a safra de soja. 

Medida tardia
Na avaliação do coordenador de Defesa Sanitária Vegetal do Mapa em Mato Grosso, Wanderlei Dias Guerra, a decisão de eliminar as lavouras da área agora é tardia. Isto porque as atenções devem estar voltadas às chamadas plantas remanescentes e que podem ter nascido a partir dos grãos que não foram retirados do campo.  

"É uma decisão tardia e não faz mais sentido. O que é preciso ver agora é se nasceu soja [a partir das plantas existentes] e destruir para que nela não fique sobrevivendo a ferrugem asiática. O que deveria ter sido feito era a colheita e pulverização das plantas", disse ao Agrodebate. 

O coordenador alerta ainda para a necessidade de se avaliar a presença de plantas de soja na região antes de entrar em vigor no estado o período de vazio sanitário, em 15 de junho, a partir de quando a semeadura passa a ser proibida e produtores têm de eliminar as plantas guaxas. 

O próprio Mapa chegou a confirmar presença da ferrugem em lavouras da região. Os dados foram inseridos no Consórcio Antiferrugem da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em todo o estado, na safra 2012/13 a doença provocou perdas financeiras na ordem de US$ 1 bilhão.

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