07/06/2013 09h10

Sete corintianos são libertados na Bolívia e devem chegar no sábado

Embaixada já providencia logística para transporte dos sete torcedores até São Paulo. Eduardo Saboia mantém cautela sobre os outros cinco.
Globo Esporte
Rodrigo Faber
Presos e familiares comemoram libertação (Foto: Reprodução / Facebook)

Após 106 dias presos na Penitenciária de San Pedro, em Oruro, sete dos 12 corintianos devem chegar ao Brasil no fim da tarde deste sábado – ou, no mais tardar, na manhã de domingo. A embaixada brasileira na Bolívia já trabalha na logística para a saída dos torcedores e transporte até a capital La Paz, de onde eles embarcarão rumo a São Paulo. A ideia é tratar o caso com cautela e evitar qualquer problema com a justiça local.

Questionado sobre a primeira coisa que gostaria de fazer, agora que está em liberdade, um dos torcedores disse ao GLOBOESPORTE.COM que pretende "beber para c...."

Os torcedores foram libertados por volta das 18h40m (horário de Brasília).  Pouco antes, o advogado Miguel Blancourt, que trabalha para o consulado brasileiro em La Paz – e representou os corintianos no caso até o dia 5 de abril – já havia explicado que o motivo da libertação de parte dos alvinegros é por falta de provas. O Corinthians divulgou uma nota oficial em seu site, exaltando a felicidade pela liberdade dos sete torcedores.

Os 12 torcedores foram acusados de participação na morte do garoto Kevin Douglás Beltrán Espada, de 14 anos, atingido por um sinalizador marítimo durante o empate por 1 a 1 entre  San José, da Bolívia, e Corinthians, pela primeira fase da Taça Libertadores da América.

Depois da liberação dos sete, a intenção da embaixada é providenciar a saída dos outros cinco, que seguem com situação indefinida em Oruro.

– Já estamos providenciando a logística para que os corintianos deixem Oruro em segurança. Um pessoal foi enviado para o transporte até La Paz, e, posteriormente, ao Brasil. Vamos atrás de passaportes, documentações, passagens... Enfim, tudo o que for necessário – resumiu o ministro conselheiro da embaixada local, Eduardo Saboia, em entrevista por telefone.

A cautela em relação à justiça boliviana é grande. A possibilidade de que a culpa recaia inteiramente sobre os torcedores que permanecem na Penitenciária de San Pedro deixa os próprios libertados com medo. Tanto que três dos sete cogitam, inclusive, permanecer em Oruro para pressionar as autoridades locais. 

– Estamos firmes nisso, mas não queremos prejudicá-los. Eles estão sujeitos ao mesmo tipo de arbítrio que libertou os outros sete. Três dos libertados queriam ficar, para fazer pressão moral. Precisamos ser comedidos nas palavras, porque a situação ainda é delicada – alertou Eduardo Saboia.

A revolta maior dos torcedores em Oruro é o fato de o menor H.A.M., de 17 anos, ter admitido o disparo que matou Kevin Espada e, ainda assim, nada ter sido alterado no processo. O promotor boliviano Alfredo Santos Canaviri viajou ao Brasil e ouviu o garoto no início de maio, mas a situação dos 12 corintianos permaneceu igual.

O fim das investigações do caso estava previsto somente para agosto. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chegou a visitar a Bolívia, onde pediu que o promotor do caso fosse a São Paulo ouvir o menor e anexar o depoimento no processo que corre pela justiça boliviana.

O Corinthians divulgou uma nota oficial em seu site, exaltando a felicidade pela liberdade dos sete torcedores. O clube destacou a participação do presidente Mário Gobbi e do ex-mandatário Andrés Sanchez nas conversas com os bolivianos e prometeu empenho para conseguir também a saída dos cinco alvinegros que permanecerão na penitenciária em Oruro.

Veja a nota oficial do Corinthians na íntegra:

Nesta quinta-feira (06), o Sport Club Corinthians Paulista recebeu com extrema felicidade a notícia da libertação de sete dos 12 cidadãos brasileiros – e torcedores corinthianos –, que estavam presos na cidade de Oruro, na Bolívia, desde 20 de fevereiro.

Um dia após o triste falecimento do garoto Kelvin Beltrán Espada, em entrevista coletiva concedida no CT Dr. Joaquim Grava, o presidente Mário Gobbi Filho iniciou a defesa dos 12 cidadãos brasileiros, que haviam sido detidos sem prova alguma. Desde então, o Sport Club Corinthians Paulista trabalhou incessantemente, em conjunto com o Governo Federal, para lutar pelos direitos dos seus torcedores.

Ao longo dos mais de 100 dias, o presidente Mário Gobbi Filho e o secretário geral Ronaldo Ximenes viajaram a Brasília-DF para realizar reuniões com José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça, e Antônio de Aguiar Patriota, ministro das Relações Exteriores; receberam os familiares dos brasileiros detidos no Parque São Jorge; e mantiveram contatos diários com os dois ministérios citados. Durante o período, o Sport Club Corinthians Paulista também teve o apoio do eterno presidente Andrés Sanchez para reforçar a sua atuação.

A felicidade pela libertação dos sete cidadãos brasileiros, no entanto, não é maior que a força e o engajamento com que o Sport Club Corinthians Paulista seguirá trabalhando para que todos os outros cinco torcedores tenham os seus direitos respeitados.

 

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